1.1 Como surge o dinheiro ?
Aparte de meios de troca como a sal e as conchas e os metais preciosos, que historicamente serviram como moeda, aqui brevemente mostramos como surgiu o dinheiro abstrato com respaldo mais ou menos concreto, que conhecemos hoje.
Os egípcios, a 5 mil anos atrás, foram os primeiros a terem grandes estoques de grãos. Nestas sociedades, o grão guardado era utilizado como lastro para a circulação de bens e serviços. O proprietário destes grãos tinha que pagar determinados custos de armazenagem. Desta forma, preferiam muitas vezes emprestá-los (sem juros) do que deixá-los guardados, transformando-o assim em capital de giro (veja
capítulo 4.1).Ao redor do ano Zero, em Jerusalém, dava-se um bônus de crédito em base de ouro existente no templo. Estes bônus tinham a credibilidade como dinheiro porque os curas e o ouro do templo garantiam que tinham valor.
Já na Idade Média, os comerciantes europeus tinham parte de sua riqueza que poderia ser gasta somente dentro de um determinado reino, o que gerava uma circulação maior e efetiva dentro dos pequenos burgos (hoje, as cidades).
Nesta mesma época os ourives (tesoureros) na Itália descobriram que podiam emprestar muito mais papéis representando um valor em ouro, do que a quantidade que eles tinham realmente nos seus cofres. Eles guardavam o ouro dos comerciantes ricos para evitar que estes fossem saqueados, e entregavam um papel que confirmava a existência deste ouro e garantia que na entrega do papel se receberia o nobre metal de volta. Essa "garantia" de valor era reconhecida e aceita entre os comerciantes, tornando-se um novo meio de intercâmbio, nascendo assim, o dinheiro em bilhete.
Os ourives observaram que não era necessário mudar o ouro de seus cofres a todo momento, porque sempre haviam comerciantes que preferiam usar as garantias (bilhetes) e, quanto mais confiança adquiriam estas "garantias", menos necessidade de trocá-las por ouro havia. Os ourives aproveitaram deste conhecimento, e colocaram a disposição dos comerciantes mais "garantias" como créditos, sem que os comerciantes entregaram ouro. Ou seja, deram um maior número de "garantias" do que o valor em ouro que haviam guardado. E como todos não vinham cobrar suas garantias por ouro ao mesmo tempo, não havia problemas em emprestar sempre a mais. Em realidade criaram dinheiro da nada. Com efeito, esta foi uma das primeiras forma de criar dinheiro tendo por base o crédito e, que até hoje em dia é a base da emissão do dinheiro.
Claro que a confiança na circulação do novo dinheiro é muito importante, tanto a reputação dos ourives e dos Templos que faziam com que as pessoas aceitassem este papel como dinheiro. Os cheques e as transferências nos bancos atuais, são aceitos porque se sabe que ao usá-lo as pessoas aceitam porque confiam que o banco vai garanti-lo . Um dos fatores que é de maior importância é a confiança de que o documento vale como dinheiro.
O dinheiro capitalista de hoje, teve momentos de desenvolvimento consciente, como na conferencia de Bretton Woods em 1944, ou o momento que o dólar foi desligado do ouro, em 1971. As bases do sistema monetário atual são: dinheiro emitido a base de créditos, com um lastro parcial (como os vales emitidos pêlos "ourives" na Itália) e taxado com juros pêlos bancos que lhe emitem. Finalmente uma essência do dinheiro de hoje e que ele é emitido por bancos privados, que mantém o poder de lhe emitir nas maus duma pequena oligarquia.
Mais adiante mostraremos como exatamente é emitido o dinheiro, como entra na circulação, e quais são os efeitos destes créditos e seus juros para a economia.
Aqui o que importa e que o dinheiro como lhe conhecemos hoje, foi criado num processo histórico, e que a estrutura que resultou deste processo não é única nem inevitável. Muitas outras formas de dinheiro existem, existiram, e existirão.
No capítulo 4 serão citados muitos exemplos de diferentes formas de dinheiro, pois foram e ainda são inúmeras formas que o homem, através de sua criatividade, refaz maneiras de dinamizar as trocas e desta forma suprir suas necessidades. Todos os exemplos citados tem, em si, uma base teórica, esta base pode ser essencial para as alterações propostas ao sistema monetário atual. Resgata-se a idéia de que a crise pela qual passa a economia mundial como um todo, não está na existência do dinheiro, mas sim na base teórica do sistema monetário que rege as relações econômicas e políticas, e traz reflexos gigantescos ao social.
1.2 - DESENVOLVIMENTO pela DISPONIBILIDADE de DINHEIRO
Última Alteração realizada em (mês/dia/ano):