Movimento Monetário Mosaico

1.3 - DESENVOLVIMENTO PELO INVESTIMENTO DO EXCEDENTE

        A prosperidade e o bem-estar material de um grupo (ou sociedade) emergem em grande parte em função dos investimentos em atividades que aumentam a produção. Dito de outro modo a prosperidade é resultado, na maioria das vezes, das inversões ou dos investimentos que as pessoas fazem para aumentar a produção a partir de determinadas condições.

        Quando o mar lançou Robinson Crusoe numa ilha isolada, ele soube sobreviver tecendo um rede de pesca e fazendo uma lança. Ao fazer isso, ele não só melhorou suas situação para obter algo para comer, mas melhorou estruturalmente suas condições de sobrevivência. Mas para tecer a rede e construir a lança foi necessário gastar um tempo para fazer estes instrumentos. Durante o tempo em que tecia a rede e construía a lança ele não pode nem caçar muito menos coletar o que comer, então para fazer isto ele foi obrigado optar entre duas situações: a abastecer-se previamente para não passar fome enquanto trabalhava na rede e lança, ou começar a produzir ambos e aceitar que tinha que passar fome até poder usá-las para garantir seu alimento.

        Dito deste modo estas ações podem parecer estranhas e raras, mas mesmo sem perceber o cotidiano é repleto de atitudes semelhantes, em que se reserva parte do que se dispõe no presente para poder desfrutar no futuro, ou que se baixam as condições de hoje, para melhorá-las estruturalmente amanhã. Estas ações de melhorar estruturalmente nossas capacidades pela aplicação do excedente, os livros de economia chamam de investimento.

        Os investimentos não são outra coisa que um mecanismo de juntar o excedente de nossa produção para poder aplicá-lo de forma produtiva. Na historia humana existiram muitas formas nas quais o excedente da produção foi acumulado é investido. A maioria destas formas foram compulsórias. No século XV a rainha católica Isabel da Espanha expulsou os Árabes da península Ibérica. Para financiar esta guerra, confiscou as posses dos judeus, assim conseguindo aumentar o fluxo de dinheiro para os seus cofres. O resultado foi a formação de um capital necessário para ser utilizado na guerra contra os mouros e, quando a guerra acabou havia ainda um volume tão grande de capital que poderia ser utilizado para fazer investimentos. E assim o fez, patrocinando a investida de Cristóvão Colombo em busca de novos caminhos para as Índias, que terminou por descobrir novas terra e trazer riquezas na América. Assim o fazendo investiu uma parte do excedente econômico num projeto de exploração, de negócio e de roubo, uma viagem que trouxe uma riqueza incalculável para ela e para o seu império.

        Este mecanismo de investir um excedente aponta para uma situação que historicamente se repete. Tradicionalmente numa sociedade existe um grupo, uma elite, que atribui a si mesma os resultados ou os lucros produzidos por todos. Nesta acumulação centralizada de dinheiro muitos são os trabalhadores e poucos, pouquíssimos na verdades, são os que desfrutam dos resultados financeiros da produção. É interessante ver que dependendo de como esta abundância é utilizada ele pode promover o desenvolvimento duma sociedade ou não. Se a elite são usa este excedente para festas e consumo, a sociedade pode se tornar decadente. Mas se o excedente e investido de forma dinâmica, a sociedade pode se desenvolver. O que é essencial saber é que para nos desenvolver como comunidade necessitamos de mecanismos para apartar nosso excedente e aplicá-lo de forma produtiva. O fato que historicamente esto na maioria das vezes foi realizado de forma exploradora e forçada, não quer dizer que não seja possível realizar isto com métodos mais dinâmicos, democráticos e igualitários.

        O excedente não é resultado de ações mágicas. Como ele aparece e como ele é utilizado merece ser entendido, porque ele aponta para um mecanismo que tanto pode ser de renovação como de deterioro e estagnação.

        Nos velhos tempos, os excedentes eram acumulados com força e obrigação. O exemplo da rainha Isabel é um, mais outros mecanismos compulsórios, como os tributos, também existiram. Hoje, o capitalismo tem formas bem mais dinâmicas para fazer o mesmo. Hoje a riqueza proporcionada pelo excedente automaticamente esta sendo usado por poderes anônimos do mercado, os juros e os lucro fazem com que o excedente da produção seja apropriado, não mais pelos nobres, mas pelos investidores, capitalistas, comerciantes, os bancos. Como funciona isto?

        É preciso ter presente que no momento em que as pessoas ganham dinheiro, este dinheiro nem sempre fica com elas, pois existem vários instrumentos ou meios através dos quais este dinheiro flui para os setores mais poderosos e mais fortes da sociedade. Estos mecanismos são os bancos, onde a maioria das pessoas guarda seu dinheiro.

        No sistema capitalista os investidores tem a disponibilidade de todos os excedentes pelos créditos bancários, que são baseados no dinheiro disponível nas contas bancarias. Eles não precisam de forçar você o eu para disponibilizar nossas poupanças, como a rainha Isabel forçou os judeus. Eles são precisam convencer os bancos de que o investimento gerará lucros. Esto faz que o capitalismo seja bem mais dinâmico que outras formas de se apropriar do excedente. No capitalismo só quem investe pode se apropriar do excedente. Isto faz com que o excedente é sempre investido produtivamente.

        Desta forma a disponibilidade do dinheiro excedente para os investidores dinamiza toda a produção e resulta num desenvolvimento da sociedade em sua totalidade. Esta atribuição direta do excedente através do sistema monetário faz que o capitalismo é o "sistema mais dinâmico e renovador na história", como foi determinado por seu critico mais grande, Karl Marx.

1.4 - CRÉDITO COMO MOTOR DA ECONOMIA

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