1.4 - CRÉDITO como MOTOR da ECONOMIA
O crédito como conceito, é um tipo de transação comercial em que um gasto, seja um investimento ou uma forma de consumo, e facilitado imediatamente enquanto o pago pelo mesmo acontece depois de um determinado tempo. Os fatores mais relevantes desta transação são a confiança e o tempo entre a aquisição e a liquidação de tal dívida.
A maior parte das empresas, umas mais e outras menos, dependem de empréstimos para financiar seus investimentos. Quase sempre, os investimentos precedem os lucros. Sendo assim, o crédito é como um motor na economia, facilitando investimentos e porem desenvolvimento. Mas, não se deve pensar o crédito somente relacionado com as empresas, os próprios consumidores também utilizam de sistemas de crédito para comprarem produtos que não tem condições de pagar de uma só vez. O governo, para realizar atividades de investimentos nas cidades, estados e países também fazem uso de financiamentos de crédito. Vê-se, então, que no sistema monetário, o crédito desempenha um papel central, como um coração, bombeando fluxos de capital de um lado para o outro.
Na maioria das vezes o crédito e realizado criando novo dinheiro. É a forma do modelo capitalista de emitir dinheiro: outorgando créditos. O dinheiro novo surge no momento em que é concedido crédito. Neste capítulo vamos nos aprofundar em alguns aspectos deste crédito.
É de suma importância ressaltar que a ciranda dos créditos, além de gerar novas oportunidades de investimento, também resulta num poço de dívidas. Alem disso, quem está emprestando o dinheiro, por certo deseja uma remuneração sobre o montante, que se conhece como juros. Estos juros serão discutidos no próximo parágrafo.
O crédito pode ser gerado num determinado local e este dinheiro pode ser aplicado em outro . Assim, muitas pessoas na Europa conseguem empréstimos à juros de 6%, e aplicam este dinheiro na bolsa nos EUA que, até há pouco, proporcionava rendimentos de 15 a 20% ao ano. A localidade da inversão, em geral, é eleita por razões especulativas. Isto significa que não são os valores intrínsecos que são determinantes para a acessibilidade do capital, mais principalmente o aumento de valor esperado.
Graças à globalização e à liberalização dos mercados de capital, o dinheiro pode ser transportado pelo mundo na velocidade do tempo de da luz, e ser aplicado onde são obtidos os maiores rendimentos mais atrativos. Isto implica que o dinheiro disponível para respaldar créditos, também pode procurar os lucros maiores no mercado mundial. Assim, o pequeno agricultor da Índia está, na verdade, concorrendo com Multinacionais, na aquisição de capital.
É muito importante ressaltar que o valor de crédito está baseado no valor de mercado ao invés do valor inerente. Assim, surge uma situação na qual o crédito se concentra em regiões com elevado valor de mercado. Nestas regiões as empresas de médio porte também conseguem dinheiro com facilidade. O outro lado da moeda é que a falta de crédito também se concentra; nas regiões onde isso acontece, mesmo pessoas com boas idéias e empresas de excelente capacidade têm grandes dificuldades de conseguir capital. Mesmo que consigam crédito, elas iniciam suas atividades no mercado local onde há pouco dinheiro e, portanto, é difícil ganhar algum retorno. Assim, a falta de crédito cria uma realidade própria: a impossibilidade de fazer florescer uma atividade.
Tomemos por exemplo uma pequena empresa de computadores do Vale do Silício (Silicon Valley) e uma no Chile. Ambas as pequenas empresas têm boa posição no mercado, têm clientes e a administração da empresa é eficiente e econômica no gerenciamento do dinheiro. Agora, ambas as pequenas empresas necessitam de novo capital e, portanto, emitem ações. O investidor Europeu precisa decidir. A pequena empresa nos EUA está representada no NASDAQ. Esta pequena empresa no Vale do Silício, portanto, consegue empréstimo mais facilmente do que seu concorrente Chileno.
Além disso, os juros sobre os empréstimos cobrados nas regiões pobres são muitas vezes superiores aos cobrados em regiões desenvolvidas, tornando quase impossível qualquer nova atividade econômica. Esta espiral de miséria é alimentada por custos bancários mais elevados e riscos maiores mas também por inflação maior. E aí também caímos numa espiral, pois os juros elevados são, eles próprios, geradores desta inflação elevada, menor atividade econômica e, portanto, maior risco, etc.
Numa espiral de impossibilidade de investimentos semelhante estão também os bairros empobrecidos dos países mais ricos. Num determinado momento a ausência de crédito se tornou a causa da impossibilidade do bem-estar, enquanto que, segundo os banqueiros ela é uma conseqüência.
As vezes o governo ou uma agência de fomento ao desenvolvimento ou um investidor privado, opta por investir, de uma vez, muito dinheiro em determinado bairro. A região portuária de Londres é um exemplo. Um bairro decadente que foi restaurado num grande projeto, e que hoje é um dos pontos mais prestigiosos da cidade. O interessante é que surge então um impulso contrário: a expectativa de um valor futuro gera valor de crédito e esta se cumpre per si: como há um fluxo de dinheiro para o bairro e ele recebe benfeitorias, aumenta o valor esperado do bairro como um todo e as casas decadentes passam a ter maior valor imediato. Só esta valorização é mais que suficiente para dar retorno aos investimentos da agência de fomento.
Como visto o crédito traz força e dinâmica à economia. Nosso modelo monetário esta baseado nestes créditos para emitir moeda e criar a quantidade necessária de dinheiro. Mas ao mesmo tempo, já que nosso sistema monetário esta nas maus duma pequena oligarquia, este crédito implica uma dependência é o mecanismo dos juros.
1.5 -
JUROSÚltima Alteração realizada em (mês/dia/ano):