1.5 - JUROS
"Sem ser radical, nem exagerar, eu lhe digo: a terceira guerra mundial já começou. É uma guerra silenciosa, mas porem não menos sinistra. Esta guerra esta destruindo Brasil, o continente Latino Americano, e praticamente todo o Terceiro Mundo. Não morem soldados, mas infantes, ao invés de milhões de feridos, tem milhões de desempregados. Ao invés de pontes, são destruídas fabricas, escolas, hospitais e economias inteiras. É uma guerra do Oeste rico, contra o continente Latino Americano e o Terceiro Mundo.
O motivo desta guerra é a divida externa, e o arma mais importante são os juros, um arma mais mortífera que a bomba atômica, e mais destrutiva que o raio laser."
Luís Inácio Lula da Silva.
Uma essência critica do sistema monetário vigente, é que ele funciona a base dos juros. Nos outros capítulos você poderá ler o que implicam os juros para a circulação do dinheiro. Aqui só olharemos por cima o que são os juros.
Juros para nós são uma das evidencias da vida. Se uma pessoa pede um empréstimo ao banco paga juros, se faz poupança recebe juros. Mas isto não é uma situação equilibrada: o que se recebe e bem menor do que se paga. No Brasil o exemplo é bem claro: Alguém que depositou 100 reais na poupança num banco, no dia 1º de julho de 1994 (data de lançamento do real), tem hoje 374 reais e 34 centavos. Já se esse mesmo alguém sacou 100 reais no cheque especial, na mesma data, tem hoje uma dívida de 139 mil, 259 reais e 10 centavos, no mesmo banco. Ou seja: com 100 reais do cheque especial você fica devendo nove carros populares, e com o da poupança, consegue comprar apenas quatro pneus.
No passado os juros nem sempre eram aceitos, tanto a Bíblia como o Corão, e muitos outros 'livros sagrados' chamam de usura e consideram pecado aceitável querer aproveitar-se do empréstimo realizado. Nosso moral pessoal quase sempre aponta ao mesmo: quem pediria que um vizinho retornasse dois xícaras de açúcar, quando ele pede prestada uma?
Hoje os juros são uma essência do sistema monetário, e os banqueiros que taxam eles são membros respeitados de nossa comunidade. É mais: muitos economistas e analistas financeiros não achem possível um sistema monetário funcionar sem eles. Os juros são definidos como "o custo do dinheiro". Isto é uma forma de legitimar eles. Mas é um argumento falso. Se os juros somente representariam o custo dos bancos manter suas administrações, e os seguros que eles precisam para os créditos que não voltam, estos juros não seriam acumulativos. Seriam gastos exatamente em pagar os salários dos empregados dos bancos e pagar os custos dos créditos perdidos. Os juros não são tanto o 'custo' do dinheiro, mas muito mais o 'preço' do dinheiro: um preço artificialmente alto, pela apropriação nas mãos duma pequena oligarquia do poder de emissão dele!
Os juros são taxados de forma exponencial. Eles são um percentagem cumulativo não só sobre o crédito inicial, mas também cobrando juros sobre juros! Quem sabe um pouquinho de matemática, sabe o que implica um crescimento exponencial. É um crescimento que aumenta sua velocidade continuamente.
Um crescimento desta forma é tão explosivo, que, depois de um tempo de aceleração, ele ganha velocidades tão extremas, que já os recursos humanos para controlar seus efeitos se tornam ineficientes.
Isto leva a que os efeitos dos juros nossas vidas são aceleram suas influencias! Faz cem anos os efeitos totais dos juros na humanidade não necessariamente eram tão visíveis, mas hoje os pagamentos de juros estão escravizando populações e nações, levando à exploração continua de recursos naturais e humanos.
Gráfico: Crescimento exponencial e crescimento linear. 1.5.1
Por seu caráter exponencial, os juros nos obrigam a pensar ao curto prazo, estimulando a degradação ambiental. Só imagine: os retornos que podem dar procesos naturais não são exponenciais, eles são lineares: estáveis. Imaginemos os peixes nos oceanos se reproduzir uns 7% (constantes) por ano, e os juros estar a uma taxa de 5% (cumulativa). Isto implicara que financeiramente é bem mais vantajoso pescar todos os peixes no mar hoje, vender eles, e guardar este dinheiro num banco contra juros, que deixar eles nadar tranqüilos e cada ano recolher uma parte. Como é isso?
O primeiro ano o monte de dinheiro cresce uns 5%. Isto é um pouco menor que a capacidade natural dos peixes se reproduzir. O segundo ano cresce de novo os mesmos 5%, mais os 5% sobre os 5%, um total de 5,25%. O terceiro ano um pouquinho mais que 5,5%. Até aqui parecem os peixes ser mais produtivos que os juros. Mas o que acontece com um crescimento exponencial? O oitavo ano já a renda dos juros cumulativos são de 7% do monte inicial. Aos 15 anos a renda é duns 10%, aos 20 anos 12,6% e isto vai crescendo cada vez mais rápido! Aos 50 anos já são mais de 50% anuais os retornos dos juros! Muito mais do que nenhuma espécie de peixes pode se reproduzir. É exatamente isto o que acontece quando governos decidem saquear as riquezas naturais de seus países para amortizar suas dividas externas: a renda constante e eterna que estas riquezas dão, não pode competir com os juros que são taxados sobre as dividas.
Mas e uma eleicao totalmente ridicula e cínica: todos sabemos que se destruimos todos nos recursos, o dinheiro que virou a representa-lo não tera mais nenhum valor!
Os juros e a acumulação de riquezas.
Quando falamos dos juros, é necessário saber que nos não só pagamos juros para nossos créditos. Nos pagamos juros cada vez que compramos pão, que tomamos café, o que pagamos o aluguel de nossas casas. Cada investimento que implica um crédito resulta no pago de juros. Cada padaria que compra uma nova maquina, cada produtor de café que obtém um crédito para comprar sementes, cada casa comprada com um crédito, todas pagam juros. Estos juros sempre são embutidos nos preços do consumidor, e é por isso que em cada compra que fazemos pagamos juros. Hoje os preços do consumidor podem ter de 25 ate 70 porcentos de juros, acumulados na sua trajetória pela cadeia produtiva!
O que percebemos é que os juros são um mecanismo muito eficiente para a acumulação de riquezas, pêlos poderes financeiros. Na população humana, só 10 porcentos recebem na sua vida mais o menos a mesma quantidade de juros, do que eles pagam. 80 porcentos pagam muito mais juros do que receberão, e uma elite, 10 porcentos da humanidade, recebe bem mais lucro por parte dos juros do que eles pagam.
Normalmente os mais vulneráveis, gente pobre e países pobres são quem precisam de capital para promover o desenvolvimento. Como não tem capital, pedem emprestado. Na prática surge desta maneira um déficit estrutural de dinheiro num circulo vicioso. Esto implica um déficit sistemático para sociedades, países e comunidades, no qual o novo dinheiro é criado e gerando novos pagamentos dos juros da dívida. O uso do dinheiro como meio de intercâmbio se esvazia porque é continuamente retirado do circuito produtivo.
Os juros são um método bem efetivo de acumular sem trabalhar. Isto não só é uma realidade para indivíduos, que aposentam-se e vivem dos juros que eles recebem para seu capital, mas num nível bem mais elevado, para comunidades e estados. O fato de os países pobres estar condenados eternamente a pagar juros intermináveis sobre dividas velhas, obriga eles a competir no mercado mundial para obter os dólares necessários para pagar estos juros. Desta forma os juros são um método excelente dos países ricos de ficar com as matérias primas e os excedentes produtivos dos países pobres.
Mas os juros não criam só riqueza. Eles são a causa da pobreza para grandes partes da população mundial. Ao mesmo tempo dos países ricos se enriquecer ainda mais, os países pobres ficam sem o circulante necessário para as comunidades se auto-gestionar. Aqui os altos níveis de desemprego significam um desperdiço enorme de possibilidades e recursos humanos. Isto tem que quedar claro: não só a pobreza direta da perdida de recursos humanos e naturais, mas uma pobreza mais estrutural, causada pela ausência de meio de intercâmbio, e, porem, de um desenvolvimento autônomo, são causadas pelos juros.
Os juros e a inovação.
Uma ironia histórica é que esta forma de tributo obrigou a países como Brasil á se desenvolver rapidamente. Isto resultou numa industria moderna e competente. Mas como o objetivo desta modernização nunca foi o de beneficiar a população, ao mesmo tempo de ter uma produção moderna, existem condições humanas e sociais medievais.
Não devemos esquecer, que ao mesmo tempo nos países ricos, os juros tem efeitos desastrosos também. Um pais como Holanda, tem os juros como o segundo posto no orçamento do estado, pagando mais para juros que para educação ou saúde. A economia nos centros capitalistas, que necessita gerar os juros acumulativos sobre seus investimentos, esta continuamente se acelerando para criar estos lucros.
A conseqüência inevitável de uma economia onde os investimentos são taxados com juros, é que as taxas de juros crescem exponencialmente e a produção tenha que seguir crescendo para poder pagar estas taxas. Desta forma esta economia é submetida a uma força predadora no qual a lógica será sempre produzir mais, para criar mais consumo, mais exploração da natureza, mais exploração do meio ambiente e consequentemente dos seres humanos.
Nos enredamos num circulo incontrolável de novos produtos, novos meios de produção, mais produtos, mais meios de produção, destruição e substituição de produtos e meios de produção acelerada, de altos rendimentos e mais concentração de renda e uma acumulação continua do capital e poder nas maus dum pequeno grupo.
O paradoxal é que nas regiões ricas o ritmo da vida está mais e mais acelerado, e ao mesmo tempo é menor a qualidade de vida em função da necessidade de manter-se no ritmo do crescimento do dinheiro.
Não se pode negar a importância e as conseqüências para a vida diária da criação de dinheiro taxada com juros. Vivemos em um sistema econômico no qual sempre há um déficit estrutural de dinheiro, e maioria das nações estão condenadas a produzir excedente para pagamento destes juros.
É por isso que procuramos realizar uma economia sem juros, onde o dinheiro circule por razoes de produção e de comercio, e não por razoes financeiras.
2.
PARA ONDE VAI O DINHEIRO?Última Alteração realizada em (mês/dia/ano):