Movimento Monetário Mosaico

2.3 - VÁRIAS FORMAS do DINHEIRO sair de CIRCULAÇÃO

        Como foi descrito, o sistema monetário baseado em créditos taxados com juros, cria seu próprio déficit de dinheiro. Desta forma o circuito produtivo perde dinheiro diretamente ao circuito financeiro.

        Isto deixa as comunidades sem o meio de trocas, indispensável para seu desenvolvimento (veja capítulo 1)

        No sistema monetário vigente existem mais formas nas quais as comunidades perdem o dinheiro circulante.

Drenagem do circuito produtivo pelo circuito financeiro.

        Quando nós falamos sobre o dinheiro, devemos distinguir dois circuitos monetários separados. O primeiro, trata da produção e do consumo, o segundo, distante da produção, trata do mundo financeiro especulativo que negocia em ações, em reivindicações e em débitos de título.

        O dinheiro tem uma finalidade diferente nos dois circuitos. O produtivo necessita-o como meio da troca para anotar comércios. O circuito especulativo usa-o para anotar as transações também, mas aqui o próprio dinheiro é a mercadoria a mais importante.

        Os dois circuitos não são separados inteiramente: o dinheiro flui entre ambos os circuitos, causando um vazamento da liquidez no circuito produtivo. Desta forma, o dinheiro se encontra abundantemente no circuito financeiro mas e escasso no circuito produtivo. O circuito financeiro drena o dinheiro do circuito produtivo em diversas maneiras. A razão principal para esta divisão é a diferença nos retornos.

        Os baixos percentuais de remuneração de um investimento na produção, seja em uma loja ordinária ou fábrica não podem ser comparados à ascensão explosiva dos retornos no circuito financeiro. A diferença é tão grande que gera dois mundos totalmente diferentes.

        Imaginemos um capitalista que tem dinheiro para investir. Ele compra ações numa fabrica. A fabrica agora cada ano tem que pagar uma parte das ganâncias para ele. Se ele investir estas ganâncias novamente no circuito produtivo, não aconteceu nenhum drenagem. Mas se o capitalista prefere investir nos circuitos especulativos, aí esse dinheiro não mais esta disponível para o circuito produtivo. Esto implica um drenagem do dinheiro do circuito produtivo ao circuito especulativo. Este drenagem sempre termina prejudicando a comunidade local, já que os produtores compensam o drenagem pagando salários menores.

Gráfico: 2.3.1

        Nós fomos ensinados que as bolsas são um mecanismo de subministrar dinheiro dos investidores às companhias. Quando uma companhia precisar de dinheiro ela emite ações, que vende aos investidores. Desta forma ela obtém o dinheiro necessário para seus investimentos. Isto acontece, sem duvida. As companhias recuperam dinheiro do circuito financeiro através dos estoques novos. Mas cada vez menos. Quando uma companhia emite ações, ela tem que pagar anualmente uma parte de seus lucros aos investidores.

        Pesquisas do economista Doug Henwood nos Estados Unidos demostram que entre 1901 e 1996, as bolsas forneceram somente 4 por cento do capital de funcionamento de companhias não-financeiras. Ao mesmo tempo, entre 1980 e 1996, um liquido 11 por cento do capital foi retirado das companhias pelas ações especulativas das bolsas. Isto foi feito com as retomadas e as restituições dos estoques por companhias e pêlos pagos anuais dos lucros aos investidores.

        A maioria das transações nas bolsas de valores, não implicam nova emissões de ações. A maioria destas transações, são a compra e venta de ações existentes por especuladores que acham que o valor destas ações vai crescer ou descer. Todas estas transações não trazem dinheiro nenhum aos produtores. Mas ao mesmo tempo existem tantas ganâncias no circuito especulativo que ele atrai dinheiro não só de especuladores, mas também cada vez mais as poupanças individuais das populações. Um exemplo disto é o fluxo do dinheiro das poupanças para a aposentadoria. Seus prêmios encontram uma saída para os circuitos financeiros. Já que muita gente está pagando em esquemas de pensão neste momento, as quantidades envolvidas são enormes.

        Estos fluxos de dinheiro causam seus próprios lucros: já que cada vez mais dinheiro esta disponível para comprar mais ou menos a mesma quantidade de ações, os preços destas crescem aceleradamente. Assim a tentação de levar seu dinheiro ao circuito especulativo é cada vez maior. Isto causa um acelerada submissão do mundo produtivo ao financeiro, com conseqüências importantes e riscos consideráveis. Quanto mais elevados a remuneração do capital proposta pelo circuito financeiro, mais forte sua atração, e mais forte a pressão sobre o setor produtivo para expandir.

        Destas diferentes formas, o circuito financeiro suga uma quantidade continua do circuito produtivo. Esto pode ser percebido facilmente, se comparamos as quantidades enormes de dinheiro circulando nas bolsas, com as dificuldades que tem os produtores de obter um crédito para investir produtivamente.

Drenagem do circulante local pela produção global.

        Como temos visto no primeiro capitulo, a comunidade precisa dum meio abstrato para realizar trocas e inversões, para poder se desenvolver. A suga do dinheiro pelo circuito financeiro representa uma das causas da falta do circulante local, porque os produtores pagarão menos salários e isto causará uma falta do circulante nas comunidades.

        Mas tem outra perdida, do dinheiro das comunidades à produção global, onde nos indivíduos somos muito mais responsáveis. Esta é a perdida de poder aquisitivo que causamos quando compramos produtos que são produzidos fora de nossa comunidade.

        Já faz umas décadas, super- e agora hyper- e mega-mercados estão se instalando na América do Sul. Capital estrangeiro investe aqui, prometendo empregos e aceso a produtos baratos. Exemplos são as cadeias Carrefour e BIG. Mas o que acontece quando nos compramos aí? Já que o dinheiro dos investimentos vem de fora, os lucros também irão fora. O resultado é uma perdida de dinheiro de nossa comunidade ao mercado mundial. E mesmo se o Carrefour o o BIG foram nacionais, a compra de produtos de cadeias produtivas de capital intensivo, suga o dinheiro da circulação na comunidade e leva-o ao nível da economia globalizada.

        Para o consumidor individual, uma compra num BIG, pode parecer vantajosa, já que os preços podem ser mais baixos que na loja do bairro. Mas ao mesmo tempo, o dinheiro da compra desaparece ao mercado mundial, e quem sabe quando voltara. Desta forma o chance do indivíduo ganhar este dinheiro diminua.

Drenagem do dinheiro por causa dos juros.

       Já forma discutidos os juros como causa do drenagem continuo do dinheiro das comunidades ao sistema financeiro. Cada vez que um produtor obtém um crédito para investir, cada vez que um indivíduo obtém uma hipoteca para comprar uma casa, cada vez que um consumidor usa um cartão de crédito, o fluxo de juros cresce.

        Assim podemos visualizar os diferentes drenagens que conhece o dinheiro, deixando as comunidades sem os meios necessários para se auto-gestionar:

Gráfico: 2.3.2

  1. A perda de dinheiro do circuito produtivo para os investidores;
  2. A perda de dinheiro das comunidades para a produção global;
  3. O dinheiro dos investidores que não é investido produtivamente mas é levado pelo circuito especulativo;
  4. A perda causada pelos pagamentos de juros para o dinheiro emitido a base de créditos.


2.4 -
As conseqüências da escassez do DINHEIRO: ACELERAÇÃO ou CRISE

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