3. DINHEIRO e POBREZA
Existem países ricos, existem países pobres. Países que prosperam e outros que se estancam. Como é que isto acontece?
Pensando bem, o Brasil é um pais rico. Vejamos porque:
O Brasil possui uma das maiores biodiversidades do planeta, (Amazônia, Cerrado, Pantanal), um nível de complexidade econômica, social e cultural que lhe permite competir com os países mais desenvolvidos do mundo. Muitos brasileiros vivem em condições totalmente modernas, com tecnologias e padrões de vida totalmente parecidos aos de moradores de Nova York, Amsterdam ou Tóquio.
No entanto, porque um país que produz 90% da sua energia elétrica esta em crise e necessita do racionamento, porque a subhabitação e as favelas crescem cada vez mais nos grandes e médios centros urbanos?
Se temos a possibilidade e o acesso a um imensa variedade de produtos naturais, porque ainda a vida se constrói tão duramente?
Porque uma país tão rico está tão pobre economicamente?
Aparentemente há outros aspectos mais importantes e que tem um papel muito mais importante e que não conseguimos distinguir.
Nos parece que se há algo a fazer para eliminar a pobreza, seja ela no Brasil ou no mundo, temos que identificar e compreender como se gera a prosperidade
Existe algumas condições para que a prosperidade se efetive? Nos parece que sim.
Em todo caso duas condições econômicas são importantes.
Primeiro: tem que haver suficiente meios de produção ou então, estes devem ser construídos ou serem adquiridos. Segundo: a organização da sociedade tem que ser efetiva, isto é, deve haver uma boa colaboração entre os segmentos ou partes que participam do processo produtivo, e uma especialização da produção deve ser possível para que seus produtos e serviços cheguem ao consumidor.
Estes questionamentos tem nos mostrado que a pobreza é complexa, possui várias dimensões. Há um senso comum de que as pessoas são pobres porque não se esforçam o suficiente e que a pobreza é algo irreversível e aceitável, faz parte da natureza.
O que a realidade nos mostra é que as oportunidades não são as mesmas para as pessoas. O crescimento econômico e tecnológico não "derramou" sobre toda a população, como se esperava; ao contrário, concentrou-se e tem gerado índices alarmantes de aumento da desigualdade social e da pobreza.
Criou-se um círculo perverso de pobreza: dificuldades de nutrição inicial, desestruturação familiar, muitas vezes caracterizada por situações de alcoolismo, uso de drogas, violência doméstica e abuso sexual, falta de acesso e permanência na escola e em atividades culturais e artísticas, expulsão do mercado de trabalho. Estas carências vão configurando uma idéia mais ampla, que é a da exclusão social, que se auto-reproduz. Torna-se cada vez mais difícil sair do círculo e as distâncias sociais vão aumentando.
Com isto, queremos desmistificar um outro senso comum, de que a pobreza é produto de carências exclusivamente materiais, que eqüivale tão somente à diferença de acesso monetário. Estão inseridas em todo um contexto de desvalorização das culturas e saberes locais, matando a identidade do povo e impondo valores consumistas e individualistas, a ruptura de processos coletivos e do sentimento de pertença a grupos sociais e à comunidade. Sem raízes e sem referências significativas, o povo vira massa de manobra para as grandes peripécias econômicas. Construir caminhos para resgatar o seu protagonismo é o nosso objetivo maior.
Por isto, sem perder de vista todas estas dimensões que envolvem a pobreza, a proposta deste livro nos leva a enfocá-la a partir de sua dimensão monetária a partir de quatro situações ou explicações:
3.1 -
RECONCEITUANDO as RAZÕES da POBREZAÚltima Alteração realizada em (mês/dia/ano):