3.2 - Dimensão internacional da pobreza
A pobreza não é um fato exclusivo da sociedade contemporânea, por certo existe desde os mais remotos tempos. Na historia humana são dois movimentos contraditórios que caminham juntos: enriquecimento e empobrecimento. O sistema monetário baseado em juros é hoje um dos mecanismos catalisadores mais fortes destes dois movimentos.
O fato é que, nos tempos atuais, a riqueza mundial aumenta em escalas cada vez mais velozes. A população mundial também cresce, porém a pobreza é cada vez maior. Esta última é resultado de uma distribuição de renda desigual e extremamente concentrada, conseqüência direta do sistema monetário vigente que acelera esta distância entre pobres e ricos. Não precisamos buscar livros complexos de economia para verificar que a pobreza tem se elevado à níveis absurdos, a prova está em cada esquina dos grandes centros e, também nos campos. A pobreza não é "privilégio" dos países em desenvolvimento, atingindo números nunca imaginados também nos países centrais do capitalismo.
Observando-se de forma global percebe-se que as relações mundiais se dão de forma desigual. Os países que já ocupam posições centrais são extensivos em seu desenvolvimento e tem condições propícias de aumentar sua primazia. Para que estes países ocupem estas posições destacadas, entre vários outros fatores, houve muito investimento para que se realizasse seu desenvolvimento econômico, tecnológico e etc. Os juros destes investimentos em geral são custos pagos pêlos consumidores dos produtos. Muitas vezes, o que ocorre é que estes consumidores são os países pobres que necessitam das tecnologias para tentarem ampliar e aprimorar seu processo produtivo atrasado.
Nesse sentido, as políticas financeiras e monetárias que tem por propósito o desenvolvimento através dos empréstimos bancários provocam diversos movimentos, entre estes o fato de ocorrer um tipo de dinamização econômica que mesmo acelerando e aumentando a produção, provoca um processo de acumulação e concentração da riqueza em determinados segmento da sociedade.
Por outro lado, o crescente endividamento de pessoas, comunidades ou países acabam por formar, certas vezes, os chamados "desertos monetários". Estes são espaços sociais em que não há dinheiro suficiente em circulação para que as populações possam se organizar e desenvolver, muito menos para que se possa promover investimentos. Muitas vezes não há nem o suficiente para que as pessoas consigam suprir suas necessidades básicas. Isto ocorre pelo fato das atividades econômicas se encontrarem em níveis ínfimos; os agentes econômicos perderam seu dinamismo porque tiveram sua vitalidade absorvida pelo pagamento dos serviços de suas dívidas: os juros, gerando uma crise quase estrutural.
Para obter crédito e para pagar seus débitos, os países pobres tiveram que fazer uma apelação à instituições internacionais como o Fundo Monetário Internacional. Este fundo concede créditos, mas impõe as condições e determina os critérios do que deve ser o desenvolvimento econômico. Entre outras coisas isto significa a diminuição de influências governamentais, privatização de serviços estatais e a abertura demasiada das fronteiras. Isto é baseado na afirmação que participar no mercado privado mundial é a melhor maneira de fomentar a economia local moderna e possibilitar ao competidor a entrada neste mercado, mesmo que na maioria das vezes não esteja apto a suportar a competição predadora do mercado global.
Os programas estruturais do ajuste obtêm do FMI esta doutrina de abertura total para o mercado mundial. E mais, a estrutura econômica nacional, é quebrada através da subordinação ao mercado mundial. Durante os últimos vinte anos quase que toda a prática internacional de desenvolvimento econômico é baseada neste conceito. De fato, isto significa que os povos deixaram de tentar manter o poder aquisitivo dentro do país e o jogaram para atrair o poder aquisitivo com as vendas no mercado mundial ou em manter liquidações de estoques de recursos humanos e naturais para conseguir que investidores estrangeiros interessados tomem a iniciativa.
As conseqüências deste ajuste estrutural são amplas e complexas. Primeiramente observa-se que o países em desenvolvimento são sempre a festa subjacente: os países ricos são muito extensivos em seu desenvolvimento e podem aumentar seu primazia facilmente. No mercado mundial eles vendem produtos muito mais avançados tecnologicamente que os países mais pobres. No preço da maioria dos produtos que os países em desenvolvimento compram, todos os tipos de custos do investimento é incluído de modo que os países pobres também estejam pagando. Desta maneira os países em desenvolvimento estão fazendo uma considerável contribuição financeira ao desenvolvimento tecnológico do norte rico.
Um segunda conseqüência do ajuste estrutural é que o sentido total no mercado mundial destruiu estruturas locais. A fim poder operar no sistema econômico global os valores e os modelos tendem a deixar de lado os investimentos sociais como saúde e educação. Já que o mercado mundial não pesa este tipo de investimento ao analisar o produto nacional. Desta maneira, muita miséria humana acontece e o potencial econômico pode estar sendo mesmo destruído.
Em terceiro surge o fato que os países que foram incluídos nos programas do ajuste são praticamente obrigados a focalizar sua economia inteira na exportação, esta produção direcionada somente ao mercado mundial destrui a própria economia local. A terra agrícola que é usada para produtos de exportação não pode ser usada para o alimento para sua própria população ou produtos agrícolas novos que poderiam ser a base da sua própria industrialização. O desenvolvimento econômico local incorpora também a produção industrial à exportação.
A base dos programas do FMI são os investimentos externos diretos em outros países investem nos mais diversos setores produtivos nacionais e os lucros destes investimentos são remetidos diretamente ao seu país de origem. Quase nenhuma industrialização é realizada pela substituição de importações, mas sim pela exportação direta. Sobre determinadas circunstâncias se pode pensar que funciona, mas em muitos casos os lucros que fluem ao investidor excederão a entrada a exportação, de modo que o dinheiro esteja-se esgotando da circulação local. Nesse caso, esta estratégia contribuirá em particular à ascensão de países ricos, sem obter o melhora para os países em desenvolvimento. Este tipo de investimentos quase nunca traz benefícios à circulação interna de dinheiro.
Um dos maiores problemas dos ajustes estruturais é o fato que a entrada da exportação ao mercado mundial acontece aumentando a escala da produção. A fim de se produzir para o mercado mundial as grande estruturas produtivas detém o poder de mercado. Assim não são vinte varejistas pequenos, mas apenas um, grande. Uma conseqüência disto é que a entrada total deste comércio vai para os bolsos de uma pequena parte da população deste país. Este elite não compartilha destes lucros com o resto da população. E pior: não os gastam em seu próprio país.
Finalmente, a coisa amarga é que a produção para o mercado mundial é, de fato, que esta estratégia por definição não pode funcionar: se dependesse do FMI todos os países seguiriam esta estratégia. Isto significa que os países pobres devem competir entre si para o ingresso de suas na exportação no mercado mundial.
O resultado "líquido" é o fato que o que um ganha a mais, o outro ganha a menos, o que sobra para um, falta para o outro. Algum país pode se beneficiar disto, mas por definição nunca todos os países. Desta forma a pobreza global não pode ser resolvida. Um determinado país pode deter o domínio da produção de determinado produto dentro do mercado global, mas isto não quer dizer que esteja resolvendo seus desajustes sociais e em outros setores produtivos.
A ideologia dos ajustes estruturais já fracassou. Já depois de décadas desta política poucos países estão melhor que antes. Dos próprios FMI e Banco Mundial saem vozes criticas.
Agora o desafio e encontrar formas de desenvolvimento baseadas nas próprias capacidades e necessidades, antes de olhar para o mercado mundial. Moedas baseadas nas mesmas capacidades locais são um instrumento chave para realizar isto.
3.3 - CRISE CONJUNTURAL e DESERTOS MONETÁRIOS
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