4 - O revés da moeda: diferentes praticas realizadas.
Muitas vezes achamos que o dinheiro tem uma forma fixa: é o que é. Mas nem agora, nem nunca, o dinheiro que predomina hoje (dinheiro bancário legalizado pêlos estados nacionais) foi a única forma de dinheiro. No passado, em outras culturas, muitas outras formas de dinheiro existiram, com cada uma suas próprias caraterísticas.
Existiram moedas respaldadas por governadores, por empresas, por mosteiros e até por bordeis. Existiram moedas respaldadas por ouro, mas também por trigo. Existiram moedas emitidas por poderes políticos, mas também por poderes religiosos, ou até por indivíduos. Neste desenvolvimento do dinheiro haverem diferentes momentos em que uma sociedade decidiu re-conceitualizar ou dinheiro para mudar seus efeitos econômicos, sociais e culturais.
Hoje o dinheiro esta mudando rapidamente (veja capítulo 5.2.f). No centro do capitalismo grandes mudanças estão acontecendo. Sistemas de contabilidade de transações e empresas especializadas em transações multi-recíprocas realizam e administram cada vez mais transações fora do circuito monetário. Multinacionais, que são em si mesmas grandes economias, internamente não usam dinheiro. Também os programas de lealdade do consumidor tornam-se cada vez mais em formas de dinheiro, respaldadas pelas próprias empresas.
Pela falta mundial de dinheiro, causada por os juros e a acumulação nos centros financeiros (veja capítulo 2.3) muitos órgãos procuram outras formas de pagamento, como em Brasil os vales almoço, os vales ônibus, em Argentina as "cestas alimentação", etc.
Ao mesmo tempo, em todo o mundo, movimentos sociais estão criando novas formas de dinheiro, criadas pelas comunidades, e respaldadas pelas comunidades. Estas experiências estão fortemente cambiando o paradigma do dinheiro e questionando suas bases praticas e teóricas.
Moedas Sociais existem hoje em Tailândia, o Bia Kud Chum, no Canada, Europa, Nova Zelândia, os sistemas LETS, na Argentina, a Red Global del Trueque, em México, o Tianguis Tlaloc, nos Estados Unidos, os Time Dolar, em Senegal, África do Sul, e em muitos países mais.
As moedas sociais são uma fonte de inspiração, mas à mesma vez, não podemos esquecer as grandes inovações desenvolvidas pêlos agentes capitalistas. Aí também tem conhecimentos e visões profundas que devemos aprender para nos poder apropriar deles.
É por isso que neste capítulo serão brevemente introduzidas alguns experiências contemporâneas e históricas que nos ensinam como mudar o dinheiro e criar novas formas.
4.1 Bancos de trigo
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