4.6 - Dinheiro respaldado por empresas
Na historia não foram só bancos que garantiam dinheiro. Até a idade média moedas eram cunhadas por um senhores (nobres), pelas igrejas e mosteiros e até por bordéis. Nesta linha, existem muitos exemplos de dinheiro emitido por empresas, tanto em registros históricos quanto nos dias de hoje.
Empresas podem respaldar o dinheiro por elas emitido com sua capacidade produtiva. Isto ocorre, por exemplo, quando a empresa utiliza suas ações como dinheiro na compra de outra empresa. Já no século dezessete a Companhia das Índias Ocidentais (Sociedade Anônima que explorava o que hoje é Indonésia) na Holanda emitiu ações que eram tão demandadas que circulavam como se fossem dinheiro.
Neste parágrafo vamos examinar exemplos de empresas que, conscientemente colocaram um tipo de dinheiro em circulação.
Schwanenkirchen
Em 1930 alguém comprou uma mina de carvão em Schwanenkirchen (Alemanha), que havia sido fechada devido à crise. Ele ressuscitou a produção, pagando os valores devidos aos empregados com vales chamados Wära. Um Wära podia ser trocado por uma determinada quantidade de quilos de carvão. Uma vez que todos precisavam de carvão e que devido à crise, havia grave escassez de marcos (moeda nacional alemã), a maioria dos estabelecimentos comerciais estava disposta a aceitar as Wäras como pagamento dos mineiros. Para os comerciantes isto representava uma clientela adicional. Ao mesmo tempo eles poderiam usar suas Wäras para comprar carvão, ou gastar as mesmas com outros empreendedores que também as aceitavam.
Os proprietários de Wäras precisavam colocar mensalmente, mediante um pequeno pagamento, um carimbo no bilhete. Isto estimulava o comércio pois quem recebia as Wäras queria livrar-se delas rapidamente, intentando comprar algo. Em 1931 a Wära já havia se espalhado por toda Alemanha. Contava com a participação de mais de duas mil empresas. O Banco Central da Alemanha viu isto como uma grave ameaça e, em novembro, proibiu a experiência.
Deli-dollars e Slagharen
Em 1989, Frank Tortorillo precisava de dinheiro para modernizar seu restaurante de entrega no balcão em Great Barrington, Massachusetts, EUA. Porém, nenhum banco estava disposto a emprestar-lhe os 4500 dólares necessários. Como solução, Tortorillo emitiu seu próprio dinheiro: os Deli Dólares, os que vendia a seus clientes. Por nove dólares ele vendia notas de dez dólares que poderiam ser gastos em seu restaurante modernizado. desta maneira ele conseguiu reunir os 4500 dólares. Neste meio tempo, os Deli Dólares, que só poderiam ser gastos após a modernização, passavam de mão-em-mão e surgiam em vários pontos da cidade.
Quando abriu seu novo restaurante podia facilmente servir 10 dólares de comida a quem apresentava uma das suas notas.
Parecido é o exemplo do parque de diversão Slagharen, na Holanda, que foi construído com o dinheiro da venta de entradas antecipadas.
Em ambos casos o respaldo da produção (futura) faz aceitável um meio, que depois circula na população como dinheiro.
Pontos a poupar
A acumulação de pontos de fidelidade como milhas de viagem se parece cada vez mais com dinheiro. Eles são conhecidos junto aos consumidores no mundo todo e pelo fato de serem conhecidos e devido à capacidade de produção dos conglomerados que os emitem, são aceitos por empresas como pagamento.
Neste momento centenas de milhões de consumidores acumulam pontos de diferentes nomes, com diferentes lojas ou empresas. Estos pontos que podem ser utilizados, cada vez mais, como dinheiro. Na Holanda, se você receber Freebies do posto de gasolina da rede BP (Brittish Petroleum), pode gastá-los como se fossem euro's na loja Kijkshop.
O que aprendemos com estes exemplos é que uma empresa pode usar sua própria capacidade de produção como respaldo de dinheiro. Isto é um ponto de visto importante! Se uma empresa toma crédito junto a um banco, o banco faz exatamente o mesmo: ela utiliza a capacidade da empresa como garantia para colocar mais dinheiro em circulação. Nos exemplos citados anteriormente as empresas retomaram este poder dos bancos.
O que é válido para uma empresa é válido também para uma rede de empresas. Portanto, no capítulo sobre Circuitos de Capital Liquido vamos ver como redes de empresas podem transformar, internamente, seu próprio capital em base para um sistema monetário próprio.
4.7 - Liquidações sem
dinheiro dentro de uma Corporação Transnacional
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