5.1 Estratégia: diferentes níveis
Paulo Peixoto de Albuquerque
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Os processos contemporâneos de globalização da economia, da informação, da política, da cultura, assim como os avanços tecnológicos e a transformação produtiva, vêm produzindo uma sociedade complexa e facetada. Uma sociedade global que, de um lado, mantém seus cidadãos fortemente interconcectados e, por outro lado, extremamente vulnerabilizados em seus vínculos relacionais de inclusão e pertencimento. Já não são apenas as mercadorias que podem ser descartadas, mas também segmentos da população que se tornam "sobrantes"Vivemos um "período incerto de transição para uma inevitável reestruturação das relações de produção: seria preciso mudar certos hábitos antes de encontra4 um configuração estável. Mutação completa de nossa relação com o mundo: tratar-se-ia, então de inventar uma maneira diferente de habitar esse mundo" (Castells, M. 1999. P.497) Estamos, sem dúvida, diante de uma bifurcação: aceitar uma ascendente inteiramente submetida às novas exigências da economia ou construir uma figura de sociedade diferente." (Castells, Manuel .1999. P.35)
Para tanto, precisamos empreender ações que derivam de experiências concretas sejam estas a partir da nossa própria realidade ou não. Este é o passo que pretendemos dar: passar da abstração da realidade para um projeto ação que construa a realidade. Principalmente porque os teóricos do social estão céticos quanto a possibilidade de um projeto de inovação social como pode ser o Movimento Monetário Mosaico.
" ...podem existir serviços que tentam mobilizar recursos monetários e recursos não-monetários, articular a esfera pública e a esfera privada, os investimentos pessoais com regulações gerais. Mas são pouco visíveis socialmente e não ultrapassam o estágio da experimentação preocupação de promover uma "economia solidária", isto é, de ligar a questão do dinheiro e a da coesão social, de criar vínculos, ao mesmo tempo que atividades, entre pessoas. Porém, na situação atual, trata-se mais de declarações de intenção do que da afirmação de uma política. (Castells ,Manuel 1999 p.574-575)
Entretanto, é preciso combinar estratégias de ação para viabilizar a economia e não apenas fundado em uma política de crédito. É preciso suporte tecnológico que desenvolvam mecanismos de incorporação de homens e mulheres que foram expulsos do mercado de trabalho e das relações de emprego assalariado e passaram a desenvolver atividades não lucrativas, não mercantis, reinvestindo nas limitadas (mas necessárias) formas de sociabilidade que o trabalho possibilita na sociedade atual.
Se estratégia é condução de um conjunto de ações para uma dada situação que comporta incertezas, então é preciso ter presente que este conjunto de ações leva em conta diversos roteiros possíveis e escolhe aquele que parece mais adequado conforme a situação. Estratégias se elaboram em função de finalidades e princípios; às vezes é preferível adotar um roteiro que minimize os riscos outras que maximize as oportunidades. As estratégias modificam-se no processo das ações em função das experiências que acumulamos de forma a ampliar nossa capacidade de responder a adversidade.
Nesse sentido, estratégia quer dizer planejar o futuro, é processo, movimento, intercâmbios. É o conjunto de ações que pensamos para construir um dado futuro. Objetiva-se em uma série de ações (táticas) que, mesmo estando sujeitas ao jogo das inter-relações sociais, obedecem à vontade dos atores sociais; são ações que devem ao constituir-se, combinar-se, porque operam em vários planos e, ao mesmo tempo, nos remete a pensar constantemente as prioridades.
Entendemos que este é o momento para empreender ações inovadoras, de fazer experiências em grande escala com a assim chamada moeda social, porque se antes a pobreza se apresentava como um fenômeno homogêneo, hoje aparece como um fenômeno heterogêneo, multi-dimensional, que atinge cada vez mais a população, não só dos grandes centros urbanos, mas também das zonas rurais; populações aprisionadas numa espiral de carência, de desertos monetários.
É importante destacar que esta espiral negativa sinaliza novos processos de apartação social e de discriminação de jovens e idosos que ao são lançados no isolamento social em função do desemprego, da precarização das relações de trabalho e do enfraquecimento da sociedade salarial.
Assim sendo, pensar estratégias de ação implica num exercício de contextualização, de visualização de relações sociais e do modo como elas engendram demandas e apontam para possibilidades e limites de novos arranjos sociais, tal como aqueles propostos pelo movimento monetário mosaico.
A tipologia que segue é um exercício de sistematização que possibilita ao leitor situar as nuanças de cada estratégia, bem como as diferentes táticas que as compõem.
5.1.a - PRIMEIRO NÍVEL: ORIENTAÇÃO POLICÊNTRICA
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