5.2.b
- NOSSOS PRÓPRIOS VALORES SÃO A GARANTIAdos CRÉDITOS BANCÁRIOS
Camilo Ramada
Crédito é baseado em valores de produção na economia. Nós só confiamos em dinheiro que pode adquirir bens e serviços. Por isso só é concedido crédito ou para atividades produtivas, ou para alguém com um ingresso, rendimentos, uma garantia ou uma expectativa de lucro. Só quem tem a possibilidade de ter lucro obtém um credito para uma inversão, só quem tem uma casa obtém uma hipoteca e só quem tem um ingresso fixo obtém um cartão de credito. Nossas próprias possibilidades, bens e capacidades são, portanto, a garantia do crédito.
O banco cria dinheiro do nada (veja
capítulo 2.1), mas necessita de nossos valores para dar cobertura a este dinheiro. Mas nos pagamos juros ao banco! Isto é um conhecimento estratégico importante: os bancos são tão dependentes da economia real (para dar cobertura aos créditos) quanto a economia real é dependente do sistema financeiro (para a concessão dos créditos). Este ponto de vista pode ser utilizado, na Economia Solidária, para utilizar os próprios valores como garantia para a própria moeda.Isto é exatamente o que acontece na prática: Se alguém quer participar dum Clube de Troca ele/a deve demonstrar, previamente, que tem capacidade de ganhar suas unidades internas. Assim, a própria produtividade é uma ‘garantia’ dos créditos a serem recebidos. Nas redes de transações entre empresas, como a WIR há necessidade de garantias adicionais. Numa rede de empresas, uma empresa se obriga, mediante contrato, a aceitar tantas unidades internas quantas a própria empresa gasta. Nestas dinâmicas são possíveis e necessários uma série de refinamentos conceituais (veja
capítulo 4.4), mas o princípio é sempre o mesmo: ao invés de pedir a um banco para capitalizar nossos valores de pagar juros sobre o mesmo, a Economia Solidária nos ensina a basear nosso próprio meio de troca em nossos próprios valores. Assim, ela se libera da dependência do sistema financeiro e economiza, simultaneamente, o pagamento de juros. É isto que faz com que a Economia Solidária possa trabalhar de modo tão mais econômico que, somente com base nisso, ela já pode concorrer com o capitalismo!Agora, uma coisa importante para tomar em conta é: se nos usamos nossos próprios valores como lastro para nossas próprias moedas, o que é exatamente esse lastro? No clubes de trocas o lastro é garantido pelas relações sociais. Na rede WIR o lastro já é mais jurídico. No
capitulo 8.1. Será apresentado o sistema FOMENTO, onde o lastro da moeda social é moeda nacional. Somente se logramos criar lastros comparáveis, as diferentes moedas podem circular nos diferentes sistemas. É isso um sonho do Movimento Monetário Mosaico: ter diferentes moedas sociais que circulam não só no seu próprio sistema, mas que podem ser aceitadas, sem risco nenhum, noutros modelos também.5.2.c -
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